sexta-feira, 8 de maio de 2026

As canções escolhidas de Paulo Sérgio Pinheiro para o Vestibular - UNICAMP - 2027/2028/2029

Conheça as 14 Canções escolhidas de Paulo Sérgio Pinheiro para os Vestibulares - UNICAMP - 2027/2028/2029

01. CANTO DAS TRÊS RAÇAS

(Paulo Sérgio Pinheiro com Mauro Duarte)

 

Ninguém ouviu um soluçar de dor

No canto do Brasil.

Um lamento triste sempre ecoou

Desde que o índio guerreiro

Foi pro cativeiro e de lá cantou.

 

Negro entoou um canto de revolta pelos ares

No Quilombo dos Palmares, onde se refugiou.

Fora a luta dos inconfidentes

Pela quebra das correntes.

Nada adiantou.

 

E de guerra em paz, de paz em guerra,

Todo o povo dessa terra

Quando pode cantar,

Canta de dor.

 

E ecoa noite e dia: é ensurdecedor.

Ai, mas que agonia

O canto do trabalhador...

Esse canto que devia ser um canto de alegria

Soa apenas como um soluçar de dor

 


 

02. CORDILHEIRA

(Paulo Sérgio Pinheiro com Sueli Costa)

 

Eu quero ter a sensação das cordilheiras

Desabando sobre as flores inocentes e rasteiras

Eu quero ver a procissão dos suicidas

Caminhando para a morte pelo bem de nossas vidas

 

Eu quero crer na solução dos evangelhos

Obrigando os nossos moços ao poder dos nossos velhos

Eu quero ler o coração dos comandantes

Condenando os seus soldados pela orgia dos farsantes

 

Eu quero apenas ser cruel naturalmente

E descobrir onde o mal nasce e destruir sua semente

Eu quero apenas ser cruel naturalmente

E descobrir onde o mal nasce e destruir sua semente

 

Eu quero ter a sensação das cordilheiras

Desabando sobre as flores inocentes e rasteiras

Eu quero ser da legião dos grandes mitos

Transformando a juventude num exército de aflitos

 

Eu quero ver a ascensão de Iscariotes

E no sábado um Jesus crucificado em cada poste

Eu quero ler na sagração dos estandartes

Uma frase escrita a fogo pelo punho de deus Marte

 

Desabando sobre as flores

Caminhando para a morte

Obrigando os nossos moços

Condenando os seus soldados

Transformando a juventude

Um Jesus crucificado

Eu quero ter a sensação das cordilheiras.


 

03. Desenredo

(Paulo Sérgio Pinheiro com Dori Caymmi)

 

Por toda terra que passo me espanta tudo que vejo

A morte tece seu fio de vida feita ao avesso

O olhar que prende anda solto

O olhar que solta anda preso

 

Mas quando eu chego eu me enredo

Nas tramas do teu desejo

 

O mundo todo marcado à ferro, fogo e desprezo

A vida é o fio do tempo, a morte o fim do novelo

O olhar que assusta anda morto

O olhar que avisa anda aceso

Mas quando eu chego eu me perco

Nas tranças do teu segredo

 

Ê Minas, ê Minas, é hora de partir, eu vou

Vou-me embora pra bem longe

 

A cera da vela queimando, o homem fazendo seu preço

A morte que a vida anda armando, a vida que a morte anda tendo

O olhar mais fraco anda afoito

O olhar mais forte, indefeso

Mas quando eu chego eu me enrosco

Nas cordas do seu cabelo

 

Ê Minas, ê Minas, é hora de partir, eu vou

Vou-me embora pra bem longe...

 

 

04. ESTRELA DA TERRA

(Paulo Sérgio Pinheiro com Dori Caymmi)

 

Por mais que haja dor e agonia

Por mais que haja treva sombria

Existe uma luz que é meu guia

Fincada no azul da amplidão

É o claro da estrela do dia

Sobre a terra da promissão.

 

Por mais que a canção faça alarde

Por mais que o cristão se acovarde

Existe uma chama que arde

E que não se apaga mais não

É o brilho da estrela da tarde

Na boina do meu capitão.

 

E a gente

Rebenta do peito a corrente

Com a ponta da lâmina ardente

Da estrela na palma da mão.

 

Por mais que a paixão não se afoite

Por mais que minh'alma se amoite

Existe um clarão que é um açoite

Mais forte e maior que a paixão

É o raio da estrela do noite

Cravada no meu coração.

 

E a gente

Já prepara o chão pra semente

Pra vinda da estrela cadente

Que vai florescer no sertão.

 

Igual toda lenda se encerra

Virá um cavaleiro de guerra

Cantando no alto da serra

Montado no seu alazão

Trazendo a estrela da terra

Sinal de uma nova estação

 


05. EVANGELHO

(Paulo Sérgio Pinheiro com Dori Caymmi)

 

Eta mundo que a nada se destina
Se maior se faz, mais se arruína
Se mais quer servir, mais nos domina
Se mais vidas dá, são mais os danos
Se mais deuses há, mais são profanos
Estes pobres de nós seres humanos

Eta vida, essa vida de infelizes
Quanto mais coração, mais cicatrizes
No amor é que a dor cria raízes
De dentro do bem é que o mal trama
Da felicidade cresce o drama
Dessas tristes de nós vidas humanas

Eta tempo que em pouco nos devora
O pavio da vela apagará
Quanto mais se partir tempos afora
Mais nos tempos de agora se estará
E mais tarde quando o tempo melhora
A nossa mocidade onde andará?

Eta morte que acaba tempo e vida
O mundo não conseguiu saída
É o fim mas pode ser o começo
Quem tenta fugir faz sempre o avesso
E quanto mais vidas se cultiva
Mais a morte alimenta a roda viva

 



06. MORDAÇA

(Paulo Sérgio Pinheiro com Eduardo Gudin)

 

Tudo o que mais nos uniu separou

Tudo que tudo exigiu renegou

Da mesma forma que quis recusou

O que torna essa luta impossível e passiva

O mesmo alento que nos conduziu debandou

Tudo que tudo assumiu desandou

Tudo que se construiu desabou

O que faz invencível a ação negativa

 

É provável que o tempo faça a ilusão recuar

Pois tudo é instável e irregular

E de repente o furor volta

O interior todo se revolta

E faz nossa força se agigantar

 

Mas só se a vida fluir sem se opor

Mas só se o tempo seguir sem se impor

Mas só se for seja lá como for

O importante é que a nossa emoção sobreviva

E a felicidade amordace essa dor secular

Pois tudo no fundo é tão singular

É resistir ao inexorável

O coração fica insuperável

E pode em vida imortalizar

 

 


 


07. NA VOLTA QUE O MUNDO DÁ

(Paulo Sérgio Pinheiro com Vicente Barreto)

 

Um dia eu senti um desejo profundo

De me aventurar nesse mundo

Pra ver onde o mundo vai dar

 

Saí do meu canto na beira do rio

E fui prum convés de navio

Seguindo pros rumos do mar

 

Pisei muito porto de língua estrangeira

Amei muita moça solteira

Fiz muita cantiga por lá

 

Varei cordilheira, geleira e deserto

O mundo pra mim ficou perto

E a terra parou de rodar

 

Com o tempo

Foi dando uma coisa em meu peito

Um aperto difícil da gente explicar

 

Saudade, não sei bem de quê

Tristeza, não sei bem por quê

Vontade até sem querer de chorar

 

Angústia de não se entender

Um tédio que a gente nem crê

Anseio de tudo esquecer e voltar

 

Juntei os meus troços num saco de pano

Telegrafei pro meu mano

Dizendo que ia chegar

 

Agora aprendi por que o mundo dá volta

Quanto mais a gente se solta

Mais fica no mesmo lugar

 



08. NAVIO FANTASMA

(Paulo Sérgio Pinheiro com Francis Hime)

 

Os dias ainda suporto

Às noites é que eu me condeno

De madrugada eu acordo

Sangrando canções de veneno.

 

O sol dos teus olhos me mata

E a lua dos meus te apavora

Derrama-se o ouro na prata

Inventa-se o sangue da aurora.

 

Marés de saudade já cedo

Batendo nas praias vazias

E o meu coração nos rochedos

Morrendo em marés de agonia.

 

E assim são as águas da vida

E o mar é um mistério que pasma

Tu és a cidade perdida

E eu sou o navio fantasma.




09. O DIA EM QUE O MORRO DESCER E NÃO FOR CARNAVAL

(Paulo Sérgio Pinheiro com Wilson das Neves)

 

O dia em que o morro descer e não for carnaval

ninguém vai ficar pra assistir o desfile final

na entrada rajada de fogos pra quem nunca viu

vai ser de escopeta, metralha, granada e fuzil

(é a guerra civil)

 

No dia em que o morro descer e não for carnaval

não vai nem dar tempo de ter o ensaio geral

e cada uma ala da escola será uma quadrilha

a evolução já vai ser de guerrilha

e a alegoria um tremendo arsenal

o tema do enredo vai ser a cidade partida

no dia em que o couro comer na avenida

se o morro descer e não for carnaval

 

O povo virá de cortiço, alagado e favela

mostrando a miséria sobre a passarela

sem a fantasia que sai no jornal

vai ser uma única escola, uma só bateria

quem vai ser jurado? Ninguém gostaria

que desfile assim não vai ter nada igual

 

Não tem órgão oficial, nem governo, nem Liga

nem autoridade que compre essa briga

ninguém sabe a força desse pessoal

melhor é o Poder devolver à esse povo a alegria

senão todo mundo vai sambar no dia

em que o morro descer e não for carnaval.



 

 

10. PESADELO

(Paulo Sérgio Pinheiro com Maurício Tapajós)

 

Quando o muro separa uma ponte une

Se a vingança encara o remorso pune

Você vem me agarra, alguém vem me solta

Você vai na marra, ela um dia volta

 

E se a força é tua ela um dia é nossa

Olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando

Que medo você tem de nós, olha aí

 

Você corta um verso, eu escrevo outro

Você me prende vivo, eu escapo morto

 

De repente olha eu de novo

 

Perturbando a paz, exigindo troco

Vamos por aí eu e meu cachorro

Olha um verso, olha o outro

Olha o velho, olha o moço chegando

Que medo você tem de nós, olha aí

 

O muro caiu, olha a ponte

Da liberdade guardiã

O braço do Cristo, horizonte

Abraça o dia de amanhã

 

Olha aí

Olha aí

Olha aí

 


 

11. VELHO ARVOREDO

(Paulo Sérgio Pinheiro com Hélio Delmiro)

 

Eu te esqueci muito cedo

Pelo tempo que passou

Tal como um velho arvoredo

Que o vento não derrubou

 

Tronco mudado em rochedo

Pedra transformada em flor

E eu fui ficando sozinho no pó do caminho

Me desenganando sofrendo e chorando

 

E mantendo em segredo

Essa minha ilusão

Que me escapou

De entre os dedos pra não sei

Que outras mãos eu me tornei o arremedo

De tudo aquilo que eu não sou

 

Mas, eu jamais retrocedo o que passou, passou

Já superei mas, só eu sei o mesmo eu jamais serei

Feito a madeira, o machado inclinando

Eu por fora estou cicatrizando

E por dentro sangrando

Afastado do medo mas, sozinho

tal como o velho arvoredo

 

Que não serve ao tempo nem ao lenhador

E o vento abandonou





12. VENTO BRAVO

(Paulo Sérgio Pinheiro com Edu Lobo)

 

Era um cerco bravo, era um palmeiral,

Limite do escravo entre o bem e o mal

Era a lei da coroa imperial

Calmaria negra de pantanal

Mas o vento vira e do vendaval

Surge o vento bravo, o vento bravo

 

Era argola, ferro, chibata e pau

Era a morte, o medo, o rancor e o mal

Era a lei da Coroa Imperial

Calmaria negra de pantanal

Mas o tempo muda e do temporal

Surge o vento bravo, o vento bravo

 

Como um sangue novo

Como um grito no ar

Correnteza de rio

Que não vai se acalmar

Se acalmar

 

Vento virador no clarão do mar

Vem sem raça e cor, quem viver verá

Vindo a viração vai se anunciar

Na sua voragem, quem vai ficar

Quando a palma verde se avermelhar

É o vento bravo

O vento bravo

 

Como um sangue novo

Como um grito no ar

Correnteza de rio

Que não vai se acalmar

Que não vai se acalmar

Que não vai se acalmar

Que não vai se acalmar

Que não vai se acalmar.

 



13. VIAGEM

(Paulo Sérgio Pinheiro com João de Aquino)

 

Oh! Tristeza me desculpe, estou de malas prontas

Hoje a poesia veio ao meu encontro

Já raiou o dia, vamos viajar

 

Vamos indo de carona na garupa leve

Do vento macio que vem caminhando

Desde muito longe, lá do fim do mar

 

Vamos visitar a estrela da manhã raiada

Que pensei perdida pela madrugada

Mas que vai escondida querendo brincar

 

Senta nessa nuvem clara, minha poesia

Anda se prepara, traz uma cantiga

Vamos espalhando música no ar

 

Olha quantas aves brancas, minha poesia

Dançam nossa valsa pelo céu que o dia

Fez todo bordado de raio de Sol

 

Oh! Poesia me ajude, vou colher avencas

Lírios, rosas, dálias pelos campos verdes

Que você batiza de jardins do céu

 

Mas pode ficar tranquila, minha poesia

Pois nós voltaremos numa estrela guia

Num clarão de Lua quando serenar

 

Ou talvez até quem sabe nós só voltaremos

No cavalo baio, no alazão da noite

Cujo nome é raio, raio de luar





14. VONTADE DE CHORAR

(Paulo Sérgio Pinheiro com Ivor Lancelotti)

 

Tudo que restou do nosso amor

São folhas que o vento soprou

E se perderam pelo ar

 

E as recordações me enchem de dor

Pois todo o fim de um grande amor

Me dá vontade de chorar

 

Todo verso triste que eu puser numa canção

É o meu coração que chora

E eu fiquei assim quando você

Sem dizer adeus foi indo embora

 

Pela minha voz e meu olhar todos verão

Como eu vivo triste agora

E eu não posso mais com a minha dor

Porque qualquer canção de amor, me dá vontade de chorar







Lista de Obras de Leitura CONVEST: clique aqui

Sobre a vida e obra de Paulo Sérgio Pinheiro: clique aqui




segunda-feira, 21 de julho de 2025

domingo, 3 de novembro de 2024

“Desafios para a valorização da herança africana no Brasil" - Redação ENEM 2024

 “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil" - Redação ENEM 2024


enem2024

Exame Nacional do Ensino Médio


INSTRUÇOES PARA A REDAÇÃO

1. O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.

2. O texto definitivo deve ser escrito à tinta preta, na folha própria, em até 30 (trinta) linhas.

3. A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas desconsiderado para a contagem de Linhas.

4. Receberá nota zero, em qualquer das situações expressas a seguir, a redação que:

4.1. tiver até 7 (sete) linhas escritas, sendo considerada “texto insuficiente”;

4.2. fugir ao lema ou não atender ao tipo dissertativo-argumentativo:

4.3. apresentar parte do texto deliberadamente desconectada do lema proposto:

4.4. apresentar nome, assinatura, rubrica ou outras formas de identificação no espaço destinado ao texto.

 

TEXTO I        

Herança - o legado de crenças, conhecimentos, técnicas, costumes, tradições, transmitido por um grupo social de geração para geração; cultura.

HOUAISS. A ; VILLAR. M S dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro Objetiva. 2009 (adaptado).

 

TEXTO II

As culturas africanas e afro-brasileiras foram relegadas ao campo do folclore com o propósito de confiná-las ao gueto fossilizado da memória. Folclorizar nesse caso, é reduzir uma cultura a um conjunto de representações estereotipadas, via de regra, alheias ao contexto que produziu essa cultura.

OLIVEIRA, E. D A epistemologia da ancestralidade Entrelugares revista de sociopoética e abordagens afins, 2009.

 

TEXTO III


PAULINO, R. Ainda a lamentar In GONÇALVES, A M Um Defeito de Cor - romance Rio de Janeiro Record, 2024 (adaptado)


TEXTO IV

História afro-brasileira nas escolas: professoras 

comentam avanços e dificuldades

As aulas sobre escravidão eram motivo de vergonha para uma professora quando ela estudava em uma escola municipal na zona sul de São Paulo. ”Era o meu pior momento na escola", lembra a ex-aluna, Naquela época, a história da população negra no Brasil era reduzida ao horror do período escravocrata. Não se falava na escola sobre temas como a história e a cultura afro-brasileira, muito menos sobre as grandes personalidades negras do país, como Luiz Gama e Carolina Maria de Jesus.

A pedagoga, que é negra, tem orgulho de oferecer uma experiência diferente da que viveu em sala de aula para seus alunos. Agora os livros infantis levados para as turmas têm protagonistas pretos. Temas como a beleza do cabelo crespo e o combate ao racismo fazem parte do dia a dia da escola.

Disponível em: https://jornal.unesp.br. Acesso em 3 jun. Z024 (adaptado).

 

 

TEXTO V

Histórias para ninar gente grande

G.R.E.S, Estação Primeira de Mangueira (samba-enredo de 2019)


Brasil, meu nego

Deixa eu te contar

A história que a história não conta

O avesso do mesmo lugar

Na luta é que a gente se encontra

Brasil, meu dengo

A Mangueira chegou

Com versos que o livro apagou

Desde 1500 tem mais invasão do que descobrimento

Tem sangue retinto pisado

Atrás do herói emoldurado

Mulheres, tamoios, mulatos

Eu quero um país que não está no retrato

Brasil, o teu nome é Dandara

E a tua cara e de cariri

Não veio do céu

Nem das mãos de Isabel

A liberdade é um dragão no mar de Aracati

Salve os caboclos de julho

Quem foi de aço nos anos de chumbo

Brasil, chegou a vez

De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês


Disponível em: www.mangueira.com.br.  Acesso em 30 maio 2024 (fragmento)


TEXTO VI

Alunos de escola municipal conhecem pontos do Rio que retratam 

relação com a África




Alunos admiram grafite de Zumbi dos Palmares na Pedra do Sal.

Disponível em www.oglobo.com.  Acesso em 29 maio 2024 (adaptado)


PROPOSTA DE REDAÇAO


A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da Língua portuguesa sobre o tema “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil", apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

 

LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS E REDAÇÃO • 1° DIA • CADERNO 4 • VERDE

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

África, Cultura Negra, Relações étnico-raciais no Vestibular UNICAMP - 2025

 

Entre as 72 questões do vestibular da UNICAMP - 2025, tivemos 8 questões trazendo a temática étnico-racial, África e Cultura Negra - foram  05 questões de Ciências Humanas, 02 questões em Linguagens (Inglês), 01 questão de Ciências da Natureza. Veja as questões presentes na Prova Q-Z


QUESTÃO 03




Originário do continente americano, o cacau pôde se difundir em regiões africanas com características naturais similares às encontradas na América do Sul, de tal modo que, na atualidade, o continente africano se tornou o maior produtor e exportador de cacau do mundo, sendo elo fundamental dos circuitos espaciais de produção, distribuição e consumo do chocolate no mundo.

Indique a principal região cacaueira do continente africano, associando-a às condições socioambientais de produção.

a) África ocidental, na costa do Golfo da Guiné, em áreas de floresta equatorial-tropical; cultivo sob forte custo ecológico e colheita manual.

b) África setentrional, na costa do Estreito de Gibraltar, em áreas de floresta mediterrânea; cultivo com manejo sustentável da floresta e colheita mecanizada.

c) África ocidental, na costa do Golfo da Guiné, em áreas de floresta mediterrânea; cultivo com manejo sustentável da floresta e colheita mecanizada.

d) África setentrional, na costa do Estreito de Gibraltar, em áreas de floresta equatorial-tropical; cultivo sob forte custo ecológico e colheita manual

 


Texto 1

The fact that so few African Americans write science fiction is perplexing since they, in a very real sense, inhabit a sci-fi nightmare in which unseen but no less palpable acts of intolerance frustrate their movement; official histories undo what has been done; and technology is too often brought to bear on black bodies. Moreover, the sublegitimate status of science fiction in literature mirrors the subaltern position to which blacks have been relegated throughout American history. The notion of Afrofuturism gives rise to a troubling antinomy: can a community whose past has been deliberately rubbed out, and whose energies have been consumed by the search for legible traces of its history, imagine possible futures?

 

(Adaptado de DERY, M. Black to the future: interviews with Samuel R. Delany, Greg Tate, and Tricia Rose. In: ___. (Ed.) The Discourse of cyberculture. Durham; London: Duke University Press, p. 179-222, 1994.)

 

QUESTÃO 18

 

De acordo com o texto 1, a escassez de autores afro-americanos em obras de ficção científica representa um

 

a) pesadelo que retrata o apagamento sistemático dos avanços culturais da comunidade negra.

b) protesto contra o processo de exclusão e de subalternização dessas pessoas na sociedade.

c) movimento explícito que tem por objetivo deslegitimar o passado e a história do movimento negro.

d) paradoxo que se deve à semelhança entre as violências que vivem e ações retratadas nessas obras

 

 

Para responder questão 19, leia o texto 2 e retome o texto 1.

 

Texto 2

 

“Parable of the Talents”

(Octavia E. Butler)

 

“To survive,

Let the past

Teach you--

Past customs,

Struggles,

Leaders and thinkers.

Let

These

Help you.

Let them inspire you,

Warn you,

Give you strength.

But beware:

God is Change.

Past is past.

What was

Cannot

Come again.

To survive,

know the past.

Let it touch you.

Then let

The past Go.”

 

(BUTLER, Octavia E. Parable of the Talents. New York, Durham and London: Open Road, 1998.)

 

QUESTÃO 19

 

O texto 2 toca em um aspecto central do afrofuturismo e reme[1]te ao tema do questionamento do texto 1. Assim, pode-se dizer  que o poema reconhece que

 

a) o passado pode contribuir para a construção de futuros possíveis, mas não pode ser repetido.

b) a imaginação de futuros possíveis está condicionada ao ensino sobre líderes religiosos do passado.

c) o apagamento do passado pode trazer ensinamentos, mas isso não garante a criação de futuros possíveis.

d) a sobrevivência em futuros possíveis requer que os costumes e as dores do passado sejam esquecidos.

 

 

QUESTÃO 24

 

Quando eu falo em adiar o fim do mundo, não é a este mundo em colapso que estou me referindo. Este tem um esquema tão violento que eu queria mais é que ele desaparecesse à meia noite de hoje e que amanhã a gente acordasse em um novo. No entanto, efetivamente, estamos atuando no sentido de uma transfiguração, desejando aquilo que o Nêgo Bispo chama de confluências, e não essa exorbitante euforia da monocultura, que reúne os birutas que celebram a necropolítica sobre a vida plural dos povos deste planeta. Ao contrário do que estão fazendo, confluências evoca um contexto de mundos diversos que podem se afetar. (...) Se o colonialismo nos causou um dano quase irreparável foi o de afirmar que somos todos iguais.

 

(Adaptado de KRENAK, Ailton. Futuro ancestral. São Paulo: Companhia das Letras, p. 40-42, 2022.)

 

Assinale a alternativa que explicita a crítica de Krenak à mono[1]cultura, tal como é enunciada no excerto.

a) A monocultura praticada nos grandes latifúndios é responsável por diversos problemas ambientais e pela necropolítica.

b) A monocultura, assim como a imposição colonial de um modelo cultural único, se expressa na recusa da pluralidade de povos e culturas.

c) Adiar o fim do mundo requer o combate à monocultura na produção agrícola e a transfiguração deste mundo em que estamos vivendo.

d) A monocultura, produtora de violências, é resultado do colonialismo e da necropolítica

 

 

QUESTÃO 29

 

A figura a seguir é a reprodução de uma capa do “Boletim de Eugenia”, de onde foi extraído o excerto transcrito ao abaixo


“Em fevereiro de 1929, a Inspetoria de Educação Sanitária e Centros de Saúde promoveram em São Paulo o primeiro concurso de Eugenia para eleger o bebê eugênico. O Boletim de Eugenia comentava a repercussão que o concurso teve na grande imprensa e estampava em sua capa a criança de 3 anos que ganhou o prêmio. Os critérios de julgamento do concurso visavam à promoção de: 'proles sadias e belas, para a organização de um ensaio de patronagem da futura elite nacional de eugenizados; finalmente, contribuía com preciosos elementos para estudos relativos à hereditariedade, ao meio social e familiar, ao cruzamento de raças'.”

(Adaptado de Boletim de Eugenia, 1(5), p.1, maio de 1929.)

 

Com base em seus conhecimentos sobre o ideário eugênico e seu contexto, e tendo em vista elementos do excerto, assinale a alternativa correta.

 

a) Uma criança considerada saudável seria branca e oriunda de uma família numerosa, o que atestaria a pureza racial da família e a superioridade reprodutiva da mulher.

b) A ideologia do “aperfeiçoamento da raça” demandava políticas públicas para superação das desigualdades entre negros e brancos nas grandes cidades.

c) Em sua busca por tratamentos alternativos ao “robusteci[1]mento” do corpo e “aperfeiçoamento racial”, a medicina eugênica opunha-se às práticas científicas.

d) Tanto o autoritarismo contra os pobres quanto a obrigatoriedade das vacinas criadas pelo serviço sanitário eugênico provocaram grandes revoltas populares na década de 1930.

 

QUESTÃO 30

 

A maioria dos países africanos tornaram-se independentes entre 1950 e 1975. Amílcar Cabral foi uma das lideranças que formularam projetos políticos para criar unidades nacionais no pós-independência. Ele havia nascido na Guiné-Bissau em 1924; depois de seu nascimento, sua família se mudou para Cabo Verde. Em 1945, obteve bolsa para estudar em Portugal; na Europa, entrou, então, em contato com as teorias do movimento da negritude, panafricanismo e marxismo. De volta à África em 1952, ajudou a fundar o Partido Africano para a Independência de Guiné e Cabo Verde (PAIGC, 1953), iniciando a luta armada contra a metrópole em 1963. Em um discurso, Cabral afirmou: “No nosso Partido ninguém dividiu; pelo contrário, cada dia nos unimos mais. Aqui não há papel, nem fula, nem mandinga, nem filhos de caboverdianos, nada disso.”

 

(Adaptado de MALACCO, F. Unidade nacional e unidade continental: uma discussão acerca dos projetos políticos de Amílcar Cabral e Kwame Nkrumah. Revista Ars Historica, 17, p. 78-100, jul/dez 2018.)

 

Com base no excerto, marque a alternativa correta sobre o ideário nacional proposto por Amílcar Cabral e pelo movimento por ele liderado.

 

a) Almejava, com base nas fronteiras dos reinos africanos que existiam antes da chegada dos europeus, construir nações independentes.

b) Buscava formar, para o enaltecimento das identidades étnicas que antecediam o colonialismo, uma grande unida[1]de pan-africanista.

c) Propunha um movimento de descolonização das culturas africanas, o qual demandava a adoção de dialetos locais e a rejeição, como idioma nacional, das línguas europeias.

d) Defendia, para fortalecer a luta contra a colonização e ideologia portuguesa, as unidades políticas nacionais posiciona[1]das acima da diversidade de etnias africanas.

 

 

QUESTÃO 45

 

Em “Sonhos para adiar o fim do mundo”, o pensador Ailton Krenak conta-nos que um pajé Xavante sonhou que a terra fi[1]caria desolada diante da ação predatória dos homens brancos. Escreve Krenak no livro: “Foi ali que eu atinei que tinha algo na perspectiva dos povos indígenas, em nosso jeito de observar e pensar, que poderia abrir uma fresta de entendimento nesse entorno que é o mundo do conhecimento. Naquele tempo eu comecei a visitar as florestas (...) e, por todos os lados, os pajés diziam: ‘vocês precisam tomar cuidado porque o mundo dos brancos está invadindo a nossa existência.’ Invadindo.”.

(KRENAK, A. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, p. 35-36, 2020.)

No trecho, as preocupações dos pajés evocam

 

a) o trauma de variados povos indígenas das florestas, decorrente das frestas de entendimento sobre o passado colonial extrativista.

b) a adoção da diversidade de perspectivas, embora os homens brancos reconheçam a falibilidade do sistema de dominação presente.

c) a diferença de perspectivas na relação homem-natureza, com a valorização da busca de um conhecimento não predatório.

d) a resistência indígena a partir do sonho de que os homens brancos deixem de ameaçar a existência dos povos originários.

 

 

QUESTÃO 66

 

Rosana Paulino é uma artista visual brasileira e suas obras têm foco nas questões sociais, étnicas e de gênero. A obra a seguir foi exposta na 35ª Bienal de São Paulo (2023) e promove a integração da arte com a natureza brasileira, retratando um importante ecossistema costeiro

 

(Adaptado de https://www.rosanapaulino.com.br/blank-5. Acesso em 02/04/2024.)

 

Tendo em vista seus conhecimentos sobre biologia e considerando a obra apresentada, é correto afirmar que

a) as árvores com raízes expostas representam a vegetação halófita característica de áreas alagadiças dos manguezais, sendo o solo úmido, salino, pobre em oxigênio e rico em nutrientes.

b) os caranguejos são crustáceos e constituem a base de uma extensa cadeia alimentar, característica de áreas lodosas das restingas, com solo arenoso, pobre em nutrientes e em oxigênio.

c) as árvores com raízes aéreas representam a vegetação xerófita característica de áreas lodosas das restingas, sendo o solo arenoso, salobre, rico em carbono e em matéria orgânica.

d) os caranguejos são moluscos característicos de áreas alagadiças dos manguezais, habitam o solo úmido e salino, se alimentam da matéria orgânica em decomposição e de uma variedade de pequenos animais.com a valorização da busca de um conhecimento não predatório.

 

GABARITO OFICIAL CONVEST

PROVA Q/Z


03. A

18. D

19. A

24. B

29. A

30. D

45. C

66. A