sábado, 1 de abril de 2023

Cartola no vestibular 2024 da UNICAMP

 


Uma das novidades para o vestibular 2024 da UNICAMP é a nova lista de obras indicadas, entre a nova seleção destacamos as canções escolhidas da obra do sambista carioca Cartola, confira as 10 composições abaixo:


Canções escolhidas, de Cartola:


1. Alvorada

2. As rosas não falam

3. Cordas de aço

4. Disfarça e chora

5. O inverno do meu tempo

6. O mundo é um moinho

7. Que é feito de você?

8. Sala de recepção

9. Silêncio de um cipreste

10. Sim

 

 

 

Alvorada

Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio Bello Carvalho

Álbum Cartola - 1974

 

Alvorada lá no morro, que beleza

Ninguém chora, não há tristeza

Ninguém sente dissabor

O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo

E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo

Alvorada

 

Alvorada lá no morro, que beleza

Ninguém chora, não há tristeza

Ninguém sente dissabor

O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo

E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo

 

Você também me lembra a alvorada

Quando chega iluminando

Meus caminhos tão sem vida

E o que me resta é bem pouco

Quase nada, de que ir assim

Vagando numa estrada perdida

Alvorada

 

Alvorada lá no morro, que beleza

Ninguém chora, não há tristeza

Ninguém sente dissabor

O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo

E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo

Alvorada

 

Alvorada lá no morro, que beleza

Ninguém chora, não há tristeza

Ninguém sente dissabor

O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo

E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo

 

Você também me lembra a alvorada

Quando chega iluminando

Meus caminhos tão sem vida

E o que me resta é bem pouco

Quase nada, de que ir assim

Vagando numa estrada perdida

Alvorada

 

Alvorada lá no morro, que beleza

Ninguém chora, não há tristeza

Ninguém sente dissabor

E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo

Alvorada

 

 

 

As Rosas Não falam

Cartola

Álbum Cartola - 1974

 

Bate outra vez

Com esperanças o meu coração

Pois já vai terminando o verão

Enfim

 

Volto ao jardim

Com a certeza que devo chorar

Pois bem sei que não queres voltar

Para mim

 

Queixo-me às rosas

Que bobagem as rosas não falam

Simplesmente as rosas exalam

O perfume que roubam de ti, ai

 

Devias vir

Para ver os meus olhos tristonhos

E, quem sabe, sonhavas meus sonhos

Por fim

 



Cordas de Aço

Cartola

Álbum Cartola II - 1976

 

Ah, essas cordas de aço

Este minúsculo braço

Do violão que os dedos meus acariciam

 

Ah, este bojo perfeito

Que trago junto ao meu peito

Só você violão

 

Compreende porque perdi toda alegria

E no entanto meu pinho

Pode crer, eu adivinho

 

Aquela mulher

Até hoje está nos esperando

Solte o teu som da madeira

 

Eu você e a companheira

Na madrugada iremos pra casa

Cantando

 

Ah, essas cordas de aço

Este minúsculo braço

Do violão que os dedos meus acariciam

 

Ah, este bojo perfeito

Que trago junto ao meu peito

Só você violão

Compreende porque perdi toda alegria

 

 

Disfarça e Chora

Cartola

Álbum Cartola - 1974

 

Chora, disfarça e chora
Aproveita a voz do lamento
Que já vem a aurora

A pessoa que tanto queria
Antes mesmo de raiar o dia
Deixou o ensaio por outra

Ó triste senhora
Disfarça e chora
Todo o pranto tem hora

E eu vejo seu pranto cair
No momento mais certo
Olhar, gostar só de longe

Não faz ninguém chegar perto
E o seu pranto, ó triste senhora
Vai molhar o deserto

Chora, disfarça e chora
Aproveita a voz do lamento
Que já vem a aurora

A pessoa que tanto queria
Antes mesmo de raiar o dia
Deixou a Escola por outra

Ó triste senhora
Disfarça e chora
Todo o pranto tem hora

E eu vejo seu pranto cair
No momento mais certo
Olhar, gostar só de longe

Não faz ninguém chegar perto
E o seu pranto, ó triste senhora
Vai molhar o deserto
Vai molhar o deserto



 

O Inverno do Meu tempo

Cartola

 

Surge a alvorada

Folhas a voar

E o inverno do meu tempo começa

A brotar, a minar

 

E os sonhos do passado

No passado estão presentes

No amor...

E não envelhece jamais

Eu tenho paz

E ela tem paz

 

Nossas vidas

Muito sofridas caminhos tortuosos

Entre flores e espinhos demais

 

 

Já não sinto saudade

Saudades de nada que vi

O inverno do tempo da vida

Oh Deus e eu me sinto feliz

 

Surge a alvorada

Folhas a voar

E o inverno do meu tempo começa

A brotar, a minar

 

E os sonhos do passado

No passado estão presentes

No amor...

E não envelhece jamais

Eu tenho paz

E ela tem paz

 

Nossas vidas

Muito sofridas caminhos tortuosos

Entre flores e espinhos demais

 

Já não sinto saudade

Saudades de nada que vi

O inverno do tempo da vida

Oh Deus e eu me sinto feliz

 



 

O Mundo é um Moinho

Cartola

Álbum Cartola II - 1976

 

Ainda é cedo, amor

Mal começaste a conhecer a vida

Já anuncias a hora de partida

Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

 

Presta atenção, querida

Embora eu saiba que estás resolvida

Em cada esquina cai um pouco tua vida

Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor

Preste atenção, o mundo é um moinho

Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho

Vai reduzir as ilusões a pó

 

Preste atenção, querida

De cada amor, tu herdarás só o cinismo

Quando notares, estás à beira do abismo

Abismo que cavaste com teus pés

 

Ainda é cedo, amor

Mal começaste a conhecer a vida

Já anuncias a hora de partida

Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

 

Preste atenção, querida

Embora eu saiba que estás resolvida

Em cada esquina cai um pouco a tua vida

Em pouco tempo não serás mais o que és

 

Ouça-me bem, amor

Preste atenção, o mundo é um moinho

Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho

Vai reduzir as ilusões a pó

 

Presta atenção, querida

De cada amor, tu herdarás só o cinismo

Quando notares, estás à beira do abismo

Abismo que cavaste com teus pés

  




  

O que é feito de você?

Cartola

 

O que é feito de você ó minha mocidade?

Ó minha força, a minha vivacidade?

O que é feito dos meus versos e do meu violão?

Troquei-os sem sentir por um simples bastão

 

E hoje quando passo a gurizada pasma

Horrorizada como quem vê um fantasma

E um esqueleto humano assim vai

Cambaleando quase cai, não cai

 

Pés inchados, passos em falso

O olhar embaçado

Nenhum amigo ao meu lado

Não há por mim compaixão

A tudo vou assistindo

A ingratidão resistindo

Só sinto falta dos meus versos

Da mocidade e do meu violão

 

O que é feito de você ó minha mocidade?

Ó minha força, a minha vivacidade?

O que é feito dos meus versos e do meu violão?

Troquei-os sem sentir por um simples bastão

 

E hoje quando passo a gurizada pasma

Horrorizada como quem vê um fantasma

E um esqueleto humano assim vai

Cambaleando quase cai, não cai

Cambaleando quase cai, não cai

Cambaleando quase cai, não cai...

 

 

Sala de Recepção

Cartola

Álbum Cartola II - 1976

 

Habitada por gente simples e tão pobre

Que só tem o sol que a todos cobre

Como podes, mangueira, cantar?

Pois então saiba que não desejamos mais nada

A noite, a lua prateada

Silenciosa, ouve as nossas canções

Tem lá no alto um cruzeiro

Onde fazemos nossas orações

E temos orgulho de ser os primeiros campeões

 

Eu digo e afirmo que a felicidade aqui mora

E as outras escolas até choram

Invejando a tua posição

Minha mangueira essa sala de recepção

Aqui se abraça inimigo

Como se fosse irmão

Habitada por gente simples e tão pobre

Que só tem o sol que a todos cobre

Como podes, mangueira, cantar?

 

Pois então saiba que não desejamos mais nada

A noite, a lua prateada

Silenciosa, ouve as nossas canções

Tem lá no alto um cruzeiro

Onde fazemos nossas orações

E temos orgulho de ser os primeiros campeões

Eu digo e afirmo que a felicidade aqui mora

E as outras escolas até choram

Invejando a tua posição

 

Minha mangueira essa sala de recepção

Aqui se abraça inimigo

Como se fosse irmão

Habitada por gente simples e tão pobre

Que só tem o sol que a todos cobre

Como podes, mangueira, cantar?

Pois então saiba que não desejamos mais nada

A noite, a lua prateada

Silenciosa, ouve as nossas canções

Tem lá no alto um cruzeiro

Onde fazemos nossas orações

E temos orgulho de ser os primeiros campeões

 

 

 

Silencio de um cipreste

Cartola

 

Todo mundo tem o direito

De viver cantando

O meu único defeito

É viver pensando

 

Em que não realizei

E é difícil realizar

Se eu pudesse dar um jeito

Mudaria o meu pensar

 

Todo mundo tem o direito

De viver cantando

O meu único defeito

É viver pensando

 

Em que não realizei

E é difícil realizar

Se eu pudesse dar um jeito

Mudaria o meu pensar

 

O pensamento é uma folha desprendida

Do galho de nossas vidas

Que o vento leva e conduz

É uma luz vacilante e cega

 

É o silêncio do cipreste

Escoltado pela cruz

Todo mundo tem o direito

De viver cantando

 

O meu único defeito

É viver pensando

Em que não realizei

E é difícil realizar

 

Se eu pudesse dar um jeito

Mudaria o meu pensar

Todo mundo tem o direito

De viver cantando

 

O meu único defeito

É viver pensando

Em que não realizei

E é difícil realizar

 

Se eu pudesse dar um jeito

Mudaria o meu pensar

O pensamento é uma folha desprendida

Do galho de nossas vidas

 

Que o vento leva e conduz

É uma luz vacilante e cega

É o silêncio do cipreste

Escoltado pela cruz

 

 

 

Sim

Cartola

Álbum Cartola - 1974

 

 

Sim

Deve haver o perdão

Para mim

Senão nem sei qual será

O meu fim

 

Para ter uma companheira

Até promessas fiz

Consegui um grande amor

Mas eu não fui feliz

E com raiva para os céus

Os braços levantei

Blasfemei

Hoje todos são contra mim

 

Sim

Deve haver o perdão

Para mim

Senão nem sei qual será

O meu fim

 

Para ter uma companheira

Até promessas fiz

Consegui um grande amor

Mas eu não fui feliz

E com raiva para os céus

Os braços levantei

Blasfemei

Hoje todos são contra mim

 

Todos erram neste mundo

Não há exceção

Quando voltam à realidade

Conseguem perdão

Porque é que eu, Senhor

Que errei pela vez primeira

Passo tantos dissabores

E luto contra a humanidade inteira?

 

Sim

Deve haver o perdão

Para mim

Senão nem sei qual será

O meu fim

 

Para ter uma companheira

Até promessas fiz

Consegui um grande amor

Mas eu não fui feliz

E com raiva para os céus

Os braços levantei

Blasfemei

Hoje todos são contra mim

 

Sim

Deve haver o perdão

 

 


Cartola, 1920 (aos 12 anos de idade)



CARTOLA

(1908- 1980)

FINDA A TEMPESTADE, O SOL RENASCEU

 

Numa certa noite, em 1935, o musicólogo Brasílio Itiberê visitou o morro da Mangueira. E foi recebido, na ponte sobre a linha férrea, por um grupo de ritmistas e pastoras da escola de samba Estação Primeira. Feitas as apresentações, a comitiva subiu em cortejo. E, como era de praxe, ao som do coro e da bateria; tendo à frente a baliza e a porta-estandarte; e sob o comando do apito do mestre de harmonia. Profundamente impressionado por essa visita, Itiberê fez sobre ela um relato minucioso, no qual fala de seu encantamento com um samba em especial, "Tragédia": "Prestai bem atenção que este é um samba do Cartola!", escreveu em seu Mangueira, Montmartre e outras favelas. "Não ouvireis tão cedo um canto assim tão puro, nem linha melódica tão larga e ondulante. Atentai como é bela, e como oscila e boia, sem pousar, entre a marcação dos 'surdos' e a trama cerrada dos tamborins", desmanchou-se.

 

Talvez em busca de um bom "gancho", em 2008, algumas pautas jornalísticas tentaram associar o centenário da morte de Machado de Assis ao de nascimento do compositor Cartola. Chegou-se até a especular se Cartola teria sido o "Machado de Assis do samba". Bobagem! Afinidades entre os dois, se as houve, foram, obviamente, as de origem étnica, além daquelas devidas ao grande talento de ambos, cada um em seu lugar. Porque, até na propalada vivência no "morro", Machado e Cartola foram muito diferentes.

 

O menino Joaquim Maria foi criado no morro do Livramento, na época ainda um conjunto de chácaras, e não um amontoado de casebres, como seria regra geral depois no Rio. Já Cartola, nascido Agenor de Oliveira, no dia 11 de outubro de 1908, no bairro do Catete, portal da Zona Sul, passou boa parte da infância na rua das Laranjeiras, então já servida por bondes elétricos, vizinho de insignes figuras, hoje com seus nomes sonoros em placas de ruas.

 

O compositor fascinante, que encantou o musicólogo Itiberê, já estava desde 1920 na Mangueira, então uma favela incipiente. Morrera-lhe o avô, sustentáculo da família, e a vida teve de mudar. Mas a semente de uma instrução pública rigorosa, como era a daqueles tempos, plantada em terreno fértil, frutificou. E como! Era 1935. E o compositor já tinha alguns belos sambas gravados por artistas famosos, como Francisco Alves, Carmem Miranda e Silvio Caldas. Só que, de repente, "tudo acabado, o baile encerrado" — como diz um de seus sambas.

 

É que em 1928, por força de lei, os compositores musicais foram equiparados, em termos de direitos autorais, aos autores de teatro. Abria-se, então, um novo campo profissional, num setor ainda inexplorado. E a turma da música teve que se abrigar sob as asas da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT), que, por seu] perfil aristocrático, não os viu com bons olhos.

Logo, logo, instaurou. se o conflito: de um lado, a SBAT; do outro, os compositores populares. Sim, populares (alunos, à distância, dos fundadores do samba), mas de paletó e gravata e até “anel no dedo”.

 

Os quais, assim, e, dizem, com dinheiro vindo de fora, organizaram-se em associação, para protagonizar os primeiros momentos da história dos direitos autorais musicais no Brasil. Enquanto isso, de longe, na calçada do outro lado da rua, olhando o burburinho do Café Nice, os pretinhos do samba não entendiam bem o que se passava.

 

Frustrados em sua expectativa de ascensão social por meio de sua arte, os sambistas continuaram em seus biscates e "virações", ocasionalmente de cunho artístico. E Cartola, mesmo admirado por Villa-Lobos e elogiado até pelo célebre maestro inglês Leopold Stokowski — que o ouviu no Rio em 1940 —, não foi exceção.

 

Por outro lado, em 1945, as rixentas sociedades autorais celebravam um armistício. No acordo, a SBAT ficava com os direitos de teatro, que até bem pouco tempo ainda eram chamados "grandes direitos", e os compositores "populares" ficavam com os "peque-nos". E assim o pessoal do Estácio, do Salgueiro, da Mangueira, de Oswaldo Cruz foi mesmo saindo de cena. Cartola, pobre e doente, foi junto, no mesmo momento em que se consagrava a categorização "samba de morro", distinta dos sambas feitos pelos compositores efetivamente "do rádio".

 

Mas o destino, sábio, fez com que as escolas de samba crescessem em importância — e, com elas, Cartola se consolidasse como um verdadeiro mito. E isso aconteceu apesar de, em 1951, ele ter passado o bastão da harmonia mangueirense ao ex-portelense Olivério Ferreira, o famoso Xangô da Mangueira até porque a "harmonia", no sentido técnico de conjunto de regras da tonalidade, ou de sons relacionados, não cabia mais nas escolas, as quais, já aí, sustentavam-se apenas na percussão.

 

Nos anos 1950 e 1960, então, Cartola, depois de comer o pão que o diabo amassou e ser dado como morto e acabado, veio vindo de novo superfície. Primeiro, escorado aqui e ali, com um emprego subalterno em um ministério, conseguido por um político amigo; também com a abertura do restaurante e casa de shows Zicartola, com o capital de amigos bancando a aventura por eles mesmos inventada, Depois, com as gravações de "O sol nascerá", por Elis Regina, em 1964 e 'Alvorada", por Clara Nunes, em 1972 -- e das regravações de grandes sambas compostos no passado —, além do infalível e admirável companheirismo de dona Zica, mulher pra toda obra... Até que veio o êxito.

 

Entre 1974 e 1979, com "As rosas não falam", "O mundo é um moinho" e "Peito vazio", entre outras composições, com ou sem parceiros, Cartola, com dois LPs gravados em sua própria voz, chegou onde sempre deveria estar. Mas a "indesejada" logo cobrou seu tributo. E a 30 de novembro de 1980 o levou.

 

Cartola, como se diz por aí, "tinha tudo pra dar errado". Mas não deu. A ponto de, em 2008, tentarem compará-lo a Machado de Assis, o que, para mim, repito, é uma bobagem.

 

Machado de Assis — que muitos ainda insistem em não ver como um afrodescendente — é a reluzente imortalidade acadêmica. Cartola, negro, favelado, compositor popular, sambista e, apesar de tudo, um mito, é símbolo de resistência. Brilhante; também.

 

Fonte: LOPES, Nei. Afro-Brasil Reluzente – 100 Personalidades Notáveis do Século. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2019. pp.39-42

 



Veja também:

 

https://www.unicamp.br/unicamp/noticias/2022/05/10/vestibular-unicamp-divulga-listas-de-obras-para-proximas-tres-edicoes

 

https://radiobatuta.ims.com.br/playlists/cartola-sao-muitos

 

https://discografiabrasileira.com.br/posts/243419/cartola-inesquecivel-amigos-relembram-historias-do-mestre-nos-40-anos-de-sua-morte

 

https://radiobatuta.ims.com.br/podcasts/musica-negra-do-brasil

 

https://www.itaucultural.org.br/secoes/noticias/anos-cartola

 

 

 

 

Lista de Obras Indicadas – Vestibular UNICAMP - 2024

 

A Tarde (Olavo Bilac)

 

Olhos d’água (Conceição Evaristo)

 

Carta de Achamento a el-rei D. Manuel  (Pero Vaz de Caminha)

 

Casa Velha (Machado de Assis)

 

O Ateneu (Raul Pompeia)

 

Niketche - uma História de Poligamia (Paulina Chiziane)

 

“Seminário dos ratos” (Lygia Fagundes Telles)

 

Canções escolhidas (Cartola)

 

Alice no país das maravilhas (Lewis Carroll)

 

 

 

 

domingo, 5 de março de 2023

A Guerra do Fogo

 


ATIVIDADE SOBRE O FILME "A GUERRA DO FOGO"


História - Ensino Médio

1° Anos A, B e C

1° bimestre


O filme “A Guerra do Fogo” é uma produção franco-canadense de 1981, foi dirigido por Jean-Jacques Annaud, e teve roteiro de Gérard Brach, a partir do romance La Guerre du feu, de J.-H. Rosny Ainé.

 

O filme retrata a época de 80.000 a.C, ou seja, durante o final do Paleolítico, também chamada de idade da pedra lascada. Temos quatro grupos ou culturas de hominídeos no filme. O primeiro grupo, estava refugiada em uma caverna, com uma linguagem primitiva, utilizam também os gestos para se comunicar, cobriam o corpo com peles de animais e não dominavam o fogo, procuravam manter o fogo, provavelmente, adquirido de incêndios naturais, provocados por raios.


O segundo grupo, organizou o primeiro ataque ao grupo refugiado na caverna, aparentemente o grupo mais primitivo, tinham o corpo coberto por pelos.

 

O terceiro grupo, em estágio primitivo, praticavam a antropofagia, tinham o corpo coberto por pelos também, usavam peles de animais como vestimenta, também não sabiam fabricar fogo, protagonizam outros dois combates com os três guerreiros do primeiro grupo.



Finalmente, o quarto grupo, parece ser o grupo mais desenvolvido, sabem fabricar o fogo, utilizam armas de guerra e caça mais sofisticadas, moram em tabas, pintam o corpo, possuíam uma linguagem mais complexa, a menina pertence a esse grupo.




PARA ACESSAR ATIVIDADE: CLIQUE AQUI

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Atividade República Velha - Questões Selecionadas


 

Atividade Bimestral: República Velha

Ensino Médio - 3 Anos A, B, C, D, E, e F

Questões Selecionadas de Vestibulares da UNICAMP

(Dissertativas e Objetivas)


Para acessar a atividade clique: aqui

sábado, 4 de junho de 2022

DR GAMA - roteiro de análise


DR GAMA - ROTEIRO DE ANÁLISE

Filme sobre a trajetória de Luiz Gama

Escravidão no Brasil

Luiz Gama

Luiza Mahim

Abolicionismo


Para acessar a atividade: clique aqui




domingo, 15 de maio de 2022

Coletânea de questões sobre o fascismo e o nazismo

 


ENTRE GUERRAS

FASCISMO

NAZISMO

Coletânea de questões sobre o Fascismo e Nazismo

Veja também no mesmo documento:

1 - AS DEFINIÇÕES CONCEITUAIS SOBRE O FASCISMO E NAZISMO;

2 - AS REJEIÇÕES E AS AFIRMAÇÕES DO FASCISMO (FRAGMENTO);

3 – QUESTÕES SELECIONADAS OBJETIVAS

4 – QUESTÕES SELECIONADAS DISSERTATIVAS


para acessar o material: clique aqui



domingo, 8 de maio de 2022

A Vida é Bela: roteiro de análise




Nas turmas de história dos 3° Anos 3D, 3A e 3F, com aulas nas sextas-feiras, assistimos o filme "A Vida é Bela". Agora temos a atividade de análise do filme:

Para acessar a atividade sobre o filme, clique em: A VIDA É BELA









quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Imperialismo / Neocolonialismo = Apresentação


 

Aula Apresentação: Imperialismo / Neocolonialismo

História Ensino Médio - 3° Anos

Para acessar a apresentação clique aqui

Imperialismo - conceito




Imperialismo

Uma primeira questão na definição de imperialismo é seu caráter múltiplo. Não há um imperialismo, mas imperialismos. Cada um com suas práticas e estratégias de controle específicas, possuindo também diferentes definições. A ideia de imperialismo surgiu já na Antiguidade. Para Roma, império era a extensão do próprio Estado, construído com base na colonização. Mas a palavra “imperialismo” apareceu apenas em 1870, sendo bastante utilizada entre 1890 e 1914, e servindo ainda hoje para designar práticas militares e culturais desenvolvidas por potências para exercer domínio sobre outros Estados politicamente independentes.

As múltiplas definições de imperialismo podem ser buscadas em uma historiografia tão vasta quanto heterogênea: de Lenin, que primeiro sistematizou o imperialismo como objeto das ciências sociais, até Edward Said, que no fim do século XX estudou o imperialismo na literatura ocidental. Desse amplo debate, o imperialismo se define como um período histórico específico, que abrange de 1875 a 1914, quando a Europa Ocidental passou a exercer intensa influência sobre o restante do mundo. O conceito designa também o conjunto de práticas e teorias que um centro elabora para controlar um território distante.

O conjunto de práticas que constitui o imperialismo começou a ganhar coerência a partir do fim do século XIX na Europa ocidental, com a concorrência entre as economias capitalistas, o abandono da política liberal, o nascimento dos oligopólios e a participação dos Estados na economia. Foi o momento do surgimento do Capitalismo Monopolista, em que a livre concorrência entre diferentes empresas gerou concentração da produção nas mãos das mais bem sucedidas, levando à formação de monopólio. Rapidamente, os bancos passaram a dominar o mercado financeiro, exportando capital, influenciando decisões de seus Estados e impelindo-os para busca de novos mercados.

Nascido, assim da formação de monopólios, o imperialismo promoveu disputas por fontes de matérias-primas entre trustes e cartéis que, já tendo dominado o mercado interno em seus países de origem, precisavam se expandir para além de suas fronteiras, defrontando-se com cartéis e trustes de países concorrentes. Nesse momento, a classe detentora da produção capitalista passou a rejeitar as fronteiras nacionais como barreira à expansão da produção econômica, transformando o crescimento econômico em expansão territorial.

O período entre 1870 e 1914 esteve, desta forma, associado à expansão do Capitalismo Monopolista, à conquista político e militar de territórios e ao auge do imperialismo sobre o mundo, com a partilha sobre a África. Quase todo o mundo, com exceção da Europa e da América, foi dividido em territórios dominados por potências como a Grã-Bretanha, a França e a Alemanha e, mais tarde, os EUA e o Japão. Essa divisão respondeu à busca por novos mercados empreendida simultaneamente pelo capital monopolista de diferentes economias, que se confundiam com os próprios governos nacionais, gerando assim rivalidade entre as potências. O próprio status de potência estava associado à posse de do maior número de territórios dominados e se tornou por si só razão política para a expansão. Porém, apesar de ter como pano de fundo a expansão mundial das relações capitalistas de produção, o imperialismo teve também raízes políticas e culturais, entre as quais se sobressaía a crença na superioridade cultural e racial dos europeus. Além disso, gerou diversos discursos cujo objetivo era o controle do proletariado nas próprias metrópoles. Um dos discursos de maior influência defendia que a migração do excedente populacional da metrópole para as colônias serviria como válvula de escape para países superpovoados, melhorando as condições dos trabalhadores metropolitanos e diminuindo a tensão social. Assim a colonização de territórios conquistados geraria mais empregos e mais riqueza para a sociedade conquistadora. Esse discurso permitiu que a burguesia dominante – a única classe a realmente lucrar com a colonização – convencesse toda a sociedade metropolitana dos benefícios da expansão colonial. Esse processo, segundo Hannah Arendt, deu origem à transformação do imperialismo em nacionalismo (já que todas as classes se identificavam com os interesses do capital monopolista), e à posterior transformação do nacionalismo em fascismo. Assim, o imperialismo seria a origem do fascismo europeu pós Primeira Guerra Mundial.

Também teorias racistas, como o darwinismo social, tiveram importante papel na justificação da dominação imperialista, ao defenderem a superioridade dos povos brancos sobre os povos de cor. A “raça branca”, que se atribuiu o status de raça superior, assumiu, a partir dessas teorias, a missão civilizadora de levar o progresso, desenvolvimento e civilização àqueles povos que considerava incivilizados e racialmente inferiores.


Fonte:


Silva, Kalina Vanderlei. Dicionário de conceitos históricos. 3a ed., São Paulo,  Contexto, 2013, pp 218-219.

Biblioteca Leituras do Professor - FDE